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Por: Carol Pitzer (Cineasta / Correspondente: Arte)

CISNE NEGRO faz jus a todas indicações em festivais internacionais que recebeu até agora. Darren Aronofsky (diretor de “Requiem para um sonho”, π e O Lutador) surpreende mais uma vez nessa trama de suspense psicológico onde Natalie Portman interpreta uma bailarina disposta a romper todos os seus limites físicos e psicológicos para ser a estrela maior de uma companhia de balé de Nova York.
O filme conta a história de Nina, uma jovem bailarina que sonha com a oportunidade de brilhar nos palcos de Nova York. Nina é uma moça doce e ingênua que se dedica exclusivamente ao balé. Porém, quando o diretor da companhia onde dança lhe dá a oportunidade de ser a estrela do “Lago dos Cisnes”, Nina será obrigada a confrontar-se com um lado de sua personalidade ainda desconhecido para viver o tão sonhado papel. Nesse suspense psicológico de tirar o fôlego, a excelente direção de Aronofsky é capaz de conduzir o espectador a lugares desconhecidos da mente humana, mostrando até onde pode chegar alguém que almeja a perfeição. Os diálogos fortes e personagens extremamente verossímeis, mergulham a platéia em um ambiente de disputa e inveja: os bastidores do balé profissional.

As escolhas de enquadramento, assim como a trilha sonora tem enorme responsabilidade nas sensações vivenciadas pelo público. A câmera, que desde a primeira cena dança junto com os personagens, passeando por seus corpos, transporta o espectador para dentro do filme. A música varia de acordo com o estado mental da personagem principal, transportando aqueles que assistem o filme para o interior da cabeça da mesma. O resultado é uma tensão crescente e uma sensação de confusão real: a plateia acompanha internamente o gradativo desequilíbrio psicológico de Nina.

O desempenho de Portman é um capítulo à parte.

A atriz, que já foi indicada ao Oscar por sua excelente atuação em Closer – Perto Demais, desvenda os limites psicológicos de sua personagem na tela grande e mergulha o espectador em um mundo de sensações confusas, típicas de quem sofre uma crise de identidade.

As transformações sofridas por Nina em direção ao seu lado mais obscuro são vividas intensamente pela atriz, dando credibilidade a cada dúvida que povoa a cabeça da personagem e colaborando para um ambiente de tensão crescente.

A escolha do elenco coadjuvante não foi menos criteriosa. Vincent Cassel está excelente no papel do diretor da companhia de balé que impulsiona Nina a explorar limites desconhecidos de sua personalidade. O ator explora na medida certa toda a crueldade de um diretor que realmente não se importa com nada além da perfeição artística produzida por ele mesmo. A câmera e o público são progressivamente seduzidos por ele. Mila Kunis está fabulosa e sensual como a maior rival de Nina que espelha tudo aquilo que a protagonista precisa tornar-se para incorporar o Cisne Negro. Aplausos ainda ao coreógrafo Benjamin Millepied, que criou belíssimas coreografias para o filme, além de treinar as atrizes, dando credibilidade a sua dança.

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